sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Uma Breve Pausa - Escalivada - Caldo Verde - Bolo de Limão com Semente de Papoula



Até parece que estou de férias, pois ando tão ausente da blogosfera. Sim, estou no modo pausa ou mais lenta. Mesmo em pleno inverno, passeei por aí, visitei amigos - virtuais e reais, degustei com o maridão deliciosas feijoadas nos dias mais frios. Fiz caminhadas e fui apreciar músicos de rua na Paulista, a avenida mais famosa de São Paulo ou Sampa, como nós paulistanos, carinhosamente chamamos esta megacidade, que na verdade é uma grande mãe. Gente de todos os cantos deste planeta, habita esta barulhenta, agitada e mal cuidada cidade. Mas eu gosto desta mãezona, nasci do ventre dela, no bairro de Pinheiros, na rua Joaquim Antunes, no ano de 1963.

Nos últimos finais de semana, com a temperatura bem mais quente, curtimos um churrasco feito pelo maridão e um primo. Aqueles churrascos demorados, para uma tarde inteira, regado com bons tintos secos, todos selecionados pelo querido primo, que sabe muito bem dar conta deste compromisso. Nós agradecemos pelo dia, pelos sorrisos, alguns transformados em gargalhadas e muito carinho!





E pelos dias de julho e agosto, andei fazendo algumas comidinhas especiais, pois foram receitas de amigos queridos. Cozinheiros de 'mão cheia' para ninguém botar defeito. Uma turma nota 10.000, desta nossa rede da blogosfera e, também, um vlogueiro do Youtube.

Começo pela querida Kasioles, editora do blog Los pucheros de Kasioles. Eu sei, todos conhecem esta simpática e elegante mulher, é amiga comum de muitos que navegam pelas minhas águas. Aprendi com Kasioles a fazer um prato tradicional da Cataluña, uma verdadeira explosão de sabores e muito fácil de fazer. É a Escalivada! Também aqui.


Foi em uma noite fria a primeira vez, acompanhou pão rústico feito em casa e um bom tinto seco. Mas começamos com um caldo de abóbora, em absoluta união estável com o peito de frango e o espinafre. As bodas envolvendo três cônjuges (abóbora, espinafre e frango), embora incomum, acontecem mais do que imaginamos. E neste caso, foi em plena harmonia, no prato! Sem modéstia, estava espetacular, sabores delicados. 


Fiz a Escalivada várias vezes. É ótima em qualquer temperatura, pode-se comer fria.  Certa manhã, estava fora de casa, resolvendo pendências e cheguei por volta das 14 horas, sem almoço e foi a Escalivada (sobra do jantar, do dia anterior) o meu delicioso lanche. Fiquei feliz e satisfeita! 

Em uma assadeira, untada com azeite, eu ajeitei 1 pimentão vermelho, 1 pimentão amarelo, 1 berinjela grande, 1 cebola média cortada em 4 partes e uma cabeça de alho. Reguei com azeite de oliva, espelhei umas pedrinhas de sal grosso e foi para o forno, a 180º graus até ficarem bem assados. Mais ou menos 1 hora, pode ser mais, depende do forno. Na metade do tempo, juntei os tomates e virei os legumes. A Kasioles publica as receitas com sequência de fotos, tipo passo a passo, vai lá mais acima, que linkei o blog dela. 

Com os legumes em temperatura mais para morna, comecei a tirar a pele dos pimentões e da berinjela, reservando todo o suco dos legumes, que guarda muito sabor e aroma. Portanto, fiz este trabalho em um prato fundo. Cortei com as mãos ou com a faca, pimentões e berinjela em tiras finas. 

Terminei tirando a pele dos tomates, espremendo as cascas dos alhos e tirando a casca da cebola.  

Enquanto os legumes assavam, cozinhei algumas batatas no vapor e na parte debaixo da panela, 2 ovos seguiam o cozimento na água.  Depois cortei as batatas e os ovos em rodelas, observando uma espessura não tão fina. Não cozinhar muito a batata, para que ao cortar, não desmanche. 

Reservei azeitonas negras sem o caroço, alcaparras e anchovas ou aliche, em um único prato. 

Em um prato de servir, montei a escalivada assim: 
1 - rodelas de batatas,
2 - pedaços dos tomates e das cebolas,
3 - tiras da berinjela, depois salguei, 
4 - tiras de pimentão vermelho e amarelo, em camadas, na diagonal, 
5 - anchovas ou aliche, continuando o trabalho em diagonal, 
6 - enfeitei com os ovos cozidos em rodelas, 
7 - continuei enfeitando com azeitonas e alcaparras, 
8 - coei todo o suco reservado dos legumes assados, temperei com azeite de oliva, aceto balsâmico, pouquíssimo sal e pimenta negra ralada, depois reguei carinhosamente por toda a escalivada e 
9 - muito cuidado com o uso do sal, pois as anchovas, azeitonas e alcaparras são salgadas. Lembre-se que a Culinária da Catalunha é de origem mediterrânea, portanto, o sal é apenas uma aparição. O que conta mesmo, é o sabor dos legumes, como por exemplo, a doçura dos pimentões e da cebola, o leve sabor picante da berinjela, a acidez dos tomates, a intensidade das azeitonas, anchovas e alcaparras, portanto, como já disse, uma explosão de sabores. Batatas e ovos fazem as vezes de um colo, um bercinho fofo e quentinho.   

O alho transformou-se em um creme delicioso, aromático, com leve toque defumado, que passamos nas fatias do pão rústico, para acompanhar a escalivada. Foi uma manjar digno do Olimpo. Zeus, assim meio sem jeito, com uma risada amarelada, pediu um bocado e depois, o endereço eletrônico da Kasioles :)) 

Não precisa de mais nada? Precisa sim! É preciso conhecer amigos que são cozinheiros de mão cheia, onde na blogosfera que formamos em rede, não faltam. Há tantos que sigo e bato palmas pelas suas produções. E aprendo com eles. E ainda, é uma gente que transborda simpatia e deliciosa amizade. Tutti buona gente !




Pausa para um café... este é para você. 






O inverno, neste ano, não foi assim tão severo. Alguns dias de muito frio, mas nada como os invernos de alguns anos atrás. Mas fiz muitas sopas e caldos. E a receita de Caldo Verde que elegi para a minha mesa, aprovadíssima pelo maridão, foi a do Necasdevaladares - receitas caseiras, um amigo português que faz delícias, todas publicadas em vídeos no Youtube.

A cozinha do Necas, ora é simples, ora é rústica, também pode ser sofisticada. Mas, sobretudo, robusta.  É o tipo de cozinha da minha família, farta e ampla de personalidade. Os pratos não passam desapercebidos. 

Caldo Verde! E como é fácil de fazer! E como é saboroso e nutritivo! 


4 batatas (450/500 gramas) cortadas em rodelas grossas, 2 cebolas médias em pedaços grossos e 2 dentes de alhos partidos, todos para uma panela com água fervente, até ficarem bem cozidos (cerca de 20/30 minutos). Depois mixei tudo e fez-se um creme. Juntei um quantidade generosa de azeite de oliva, rodelas de linguiça portuguesa, salguei e juntei 200 gramas de couve manteiga, sem o talo mais grosso e cortada finamente. Tampei a panela e deixei cozinhando, até a couve ficar al dente e o caldo na consistência desejada. Provei para conferir o sal e finalizei com pimenta preta relada no momento. Deixei descansando uns 10 minutinhos e começamos a degustação deste caldo delicioso, fácil e muito saudável.

As receitas no Necas, também foram a inspiração para estas postas de bacalhau (foto abaixo), assadas com batatas , sobre cama de cebolas, alhos, pimentões vermelhos e amarelos. Servidas com ovos cozidos, azeitonas e alcaparras, aqui!

Digo sempre inspiração, porque temos a nossa própria maneira de executar um prato, mas as inspirações vinda dos amigos, são como poesias gastronômicas.


E as postas de bacalhau foram servidas com brócolis cozidos no vapor, al dente e depois perfumados com alho e azeite na wok, só para assustar os floretes e está pronto. Ahh, uma pitadinha de sal.  





E para a sobremesa? Sim, esta etapa foi coroada com uma delícia que aprendi com a Nina do blog O meu pensamento viaja. A querida Nina é uma mulher belíssima, elegante e decidida. É fato, o que ela quer fazer, ela faz! Temos muitos amigos comuns, ela também também faz parte desta nossa rede na blogosfera.

E as suas produções? Não, não se limitam, como eu, nas artes da boa cozinha. Quem não conhece o blog da Nina, precisa conhecer: trabalhos manuais artísticos, gastronomia, decoração, moda, jardinagem, viagens... enfim, é um blog diverso, de amplo bom gosto, que caminha do tradicional ao moderno. Para não perder!

Eu fiz um Bolo de Limão que ela publicou no link acima. É um bolo tão perfumado, tão saboroso. Já fiz muitos bolos de limão, que adoro e nenhum havia me conquistado ou melhor, me arrebatado como este feito pela Nina. O visual me encantou e é muito fácil de fazer. Fiz algumas pequenas alterações, porque eu não tinha iogurte, que substituí por leite integral e juntei uma colher de semente de papoula.

Enfim, todas a minhas receitas inspiradas, por vezes, acabam por alteradas. Faz parte da vida prática, aprendi com a minha mãe. Temos que ajustar, caso falte algum ingrediente ou para atender o gosto dos comensais.


Amiguinhos, é um bolo espetacular, a textura é incrível! Feito para acompanhar um café ou chá, a qualquer hora. É um mimo, um carinho e muito perfumadinho! E não é um bolo seco. 

Raspas de 1 limão siciliano - sem a parte branca, que é amarga,
1 colher de sementes de papoula, 
150 gramas de açúcar, 
3 ovos, 
200 gramas de farinha de trigo - eu gosto de peneirar, 
120 ml de leite integral, 
80 ml de óleo - usei girassol, 
pitada de sal. 
1 colher de chá (rasa) de fermento para bolo e
açúcar de confeiteiro para polvilhar. 


Bati com um fouet. Primeiro os ovos, perfumei com as raspas de limão, depois o açúcar, depois o óleo, depois o leite, a farinha de trigo, pitada de sal e a semente de papoula. Não bati muito, inclusive os ovos, apenas espumei levemente. Por último, o fermento e bati ligeiramente. 

Assei em forma com furo no meio, untada e enfarinhada, a 180º, em forno pré-aquecido até dourar. Desenformei morno e polvilhei açúcar de confeiteiro. É só, pouco para ser feliz! 

No dia seguinte, eu e o maridão, no café da tarde, passamos em duas fatias cream cheese e por cima, geleia de amora. Cheesecake fake (falsa)? Sei lá, mas acho que está mais para food porn  (pornografia alimentar), provocativa e escandalosa ahahaha... porém a apresentação ficou delicada, o sabor delicioso, longe daquelas comidas ogras, tipo hambúrgueres de 3 andares. 





E foi tão bom este bolo de limão, que entrou para a celebração do aniversário de 8 anos do blog da Rosélia, o Espiritual-Idade. Todos conhecem a Rosélia, esta nossa amiga que inspira e espalha amor por onde passa. A Rosélia vive em amorosidade e em estado genuíno de Gratidão! Sábia em profundidade!

E para a Rosélia, os meus votos de vida longa ao Espiritual-Idade. As orquídeas são do meu jardim, cultivadas pelo meu marido.



Um beijinho a todos e sejamos eternamente felizes! 






terça-feira, 11 de julho de 2017

Meu Aniversário - 2017




Neste 12 de julho, completo 54 anos! Muitas velas, então resolvi colocar só quatro ahahaha...


Nesta época, eu sempre me lembro de quando era pequena e de muitos aniversários comemorados. Na foto, eu estava com um ano e foi o dia da minha primeira festa de aniversário. 


Lembro também, da minha mãe e do meu pai, mas com alegria e muitas saudades. Como eu adorava a casa dos meus pais, especialmente aos domingos. Na foto abaixo, com minha mamma em 2005. Juntas, materializamos meu corpo físico. Morei durante 9 meses, em um bercinho fofo e quentinho. E ainda na foto abaixo, meu pai e minha mãe no final de década de 60.


Ofereço a você uma Flor de Lótus, que fotografei quando estive em um jardim com estas flores exuberantes. Pegue, é sua! 


Na semana passada, recebi um email da querida Mariazita, do blog A Casa da Mariquinhas. O email trouxe um vídeo com uma música, cantada por Salvador Sobral. O nome é 'Amar pelos Dois'. A letra me deixou emocionada, especialmente a última estrofe.  

Gostaria de compartilhar com vocês esta poesia, são belezas que os amigos compartilham conosco e que nos emocionam. Muito obrigado querida amiga Mariazita.

Li que a letra é composição da irmã de Salvador, Luísa Sobral. Soube, por pesquisa feita no google, se estiver errada, os amigos portugueses podem corrigir nos comentários. 




Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi para te amar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada para dar

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez, devagarinho, possas voltar a aprender

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez, devagarinho, possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois


A melodia é, igualmente, maravilhosa! Ouçam!


Agora, se você quiser um docinho, pegue o seu e vamos celebrar! 


Gosta de pastel de natas? Eu adoro com canela, só um pouquinho. 


Um forte abraço a todos, muito agradecia pela amizade e carinho. Muitos beijinhos! 






quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Amizade do Ganso com a Atleta - Polenta com Ragù de Vôngole - Filés de Atum com Cebola e Alcaparras - Galette de Maçãs com Creme de Confeiteiro




Onde moro, há um lago onde muitos animais silvestres habitam. Alguns gansos fazem a festa quando o dono de um restaurante, no meio da tarde, chega com verduras para eles comerem. Fez até um comedouro bem bonitinho para os gansos. Mas já vi outros animaizinhos silvestres se fartando no comedouro. E tudo fica bem, pois os animais convivem em paz. 


Além do pato com prótese, que já contei aqui, há uma outra história que ouvi em um verão passado, mas que ficou bem guardada na minha memória. Fico sempre imaginando o ganso que foi o protagonista, naquela ocasião. 


O tal ganso que virou celebridade, estava com uma das asas machucada e uma das moradoras, que é atleta, levou o ganso para a casa e cuidou da asa machucada, com todo o amor e carinho, contando com a ajuda de um veterinário. Isso levou alguns dias, não sei quantos, mas o suficiente para a construção de uma forte amizade entre a atleta e o ganso. 

Certo dia, o ganso já liberado pelo veterinário, com a asa em perfeito estado, foi levado novamente para o lago, pela atleta. A intenção da moça tão generosa e amorosa, foi fazer com que o ganso voltasse a viver em seu habitat natural, juntamente aos outros animais. De volta ao lar! 


Sabem o que aconteceu? Ele voltou para a casa da atleta e sozinho! Fez um escândalo na porta da casa. A chegada até a porta foi bem fácil, pois aqui no condomínio, não é permitido o uso de portões, já que o condomínio é fechado. 

Quando a atleta foi ver o que estava acontecendo na sua porta, lá estava o ganso, de volta para o que ele desejava como habitat natural, onde foi amado e bem cuidado. 

Não sei o que aconteceu depois que o ganso voltou para a casa da moça, mas achei essa história espetacular. O amor é um sentimento que não temos o controle, ele nasce, cresce e pode até mudar o curso de nossas vidas.

O amor existe, também, para vivermos encantados! E penso que mais encantado é quem ama, do que quem é amado. 




Para embalar com amorosidade os nossos corações, deixo a canção 'Historia de un Amor', interpretada pelo grupo French Latino, que aprecio imensamente! 





E assim, vai crescendo a minha principessa Mariana, sempre bem motivada pelos pais, a ter contato com os animais. E ela gosta!






Este blog, é também o meu caderno de receitas, aquelas que eu mais gosto. Então, caso você não goste de ler sobre receitas, etc e tal, relaxe! Siga agora apreciando apenas as fotos e no final, ainda vai ganhar um beijinho e um carinho. Ahhh... eu sou anti-gourmet, uso o alecrim como tempero, como minha nonna usava e não somente para decorar pratos, não faço molhos para desenhar riscos abstratos no prato e adoro café 'espresso', mas sem corações e rostos da Monalisa desenhados. Nada contra, cada um faz e gosta do que bem quiser, apenas eu não gosto. Aprecio as tradições e quanto mais simples e rústicas, mais eu gosto. Também sei apreciar pratos refinados, mas sem o alecrim deslumbrado, para justificar os $$$$$ cobrados. A minha cozinha salta para outras dimensões, quando posso cozinhar com calma, esqueço até da panela de pressão. Porém ela, a panela de pressão, é querida e necessária. Mesmo contrariando o pediatra do meu filho, quando era um bebê, fiz muitas papinhas para ele na panela de pressão, pois o tempo era curto e os afazeres eram imensos, especialmente para uma jovem e inexperiente mãe. Aprendi com a minha mamma que "ser perfeita pode causar doenças, por vezes minha filha, é mais 'sano' fazer a fila andar..."




Comecemos então, pelo primo piatto, que é polenta feita com brodo (caldo) de peixe e um delicado molho de tomates, acariciado com a água do cozimento dos vôngoles, além dos vôngoles e temperos. 

É um prato extraordinário, para quem aprecia os sabores do mar!


A polenta eu gosto da marca italiana Moretti, do tipo bramata, com uma moagem mais grossa, preservando o amido, resultando assim, em uma polenta bem cremosa e com muito sabor. Para este prato, a polenta bramata bianca, também é indicada, pois tem um sabor mais delicado. 

Uma parte de polenta para 4 de partes de líquido, que substituí a água por brodo de peixe. Sempre tenho no freezer caldos para usar quando for preciso. Faço em grande quantidade, de carne, de legumes e de peixe, sem sal. Voltando a polenta, quarenta minutos no fogo médio, mexendo para não formar grumos e termino com um fio de azeite. Finito! Não esqueça de salgar a polenta! 

Os vôngoles são abertos em uma panela com um ramo de salsinha, fio de azeite e vinho branco. A água dos vôngoles é reservada, uma preciosidade de sabor! Não precisa de sal, pois a água do mar já tempera na medida certa. 

Tomates belos e maduros, sem a pele são picados e refogados em azeite, alho picado, sal e peperoncino seco. Um pouco de açúcar para controlar a acidez dos tomates. É hora de juntar a água dos vôngoles. Quando tudo estiver bem perfumado e os tomates desmaiados, junto os vôngoles abertos, envolvo tudo e desligo o fogo. Termino ralando pimenta preta e está pronto!

É só montar o prato. A polenta assim que ficar pronta, é ajeitada em pratos individuais. Por cima, colheradas do molho de vôngoles. Salsinha picada para perfumar.

Parmesão ralado? Eu não gosto para este prato. Meu coração salta avisando sobre um litígio de sabores, entre o leite e os aromas do mar, neste caso, com o brodo de peixe usado para dar sabor a polenta. Porém, é revigorante um giro generoso de azeite de oliva, com a certeza de um feliz matrimônio.  




Agora, o secondo piatto, que chega bem robusto com filés de atum fresco, cebola, vinho branco e alcaparras.  


Nada pode ser mais fácil, o segredo é não fritar muito os filés de atum, para não ressecar e não dourar demais a cebola. 

Azeite em quantidade generosa na wok. Sem que aqueça muito, frite os filés (ou postas?) de atum (um dedo de espessura), dos dois lados, virando com cuidado. Salgue a rale pimenta preta. Um ou dois minutos de cada lado, observando os filés pela lateral, que vão mudando de cor. Tire os filés e reserve em um prato tampado. 

Ainda na wok, junte um pouco mais de azeite se for necessário e frite as cebolas cortadas em meia lua. Quando as tiras de cebola estiverem bem envolvidas em azeite, junte um pouco de vinho branco (pode substituir por água), talvez 1/4 de xícara e continue até secar um pouco o líquido. Junte mais um fiozinho de azeite, um pouquinho de açúcar, misture e entre com uma pitada de sal. Agora é a vez de voltar os filés de atum na wok e envolva-os com a cebola, sempre com cuidado, peixe é uma carne delicada. Espalhe alcaparras por cima e pode servir.  




E para a sobremesa, galette de maçãs delicadamente carameladas, aromatizadas com noz-moscada e canela, sobre creme de confeiteiro.

Olhem, é uma sobremesa muito, mas muito deliciosa!


A massa desta galette é espetacular! Parece um biscoito, muito leve e crocante. 

200 gramas de farinha de trigo peneirada,
60 gramas de açúcar,
80 gramas de manteiga com sal (tua manteiga é sem sal? Junte uma pitada de sal na farinha) e
1 ovo.

Agregue todos os ingredientes, sem amassar muito, de preferência mantendo alguns pedaços de manteiga. Manter na geladeira por uma hora, envolvida em filme plástico de PVC.  

Faça o creme de confeiteiro, levando ao fogo 250 ml de leite integral com meia fava de baunilha ou um bom pedaço de casca de limão. Após ferver, desligue o fogo e espere esfriar um pouco. 

Em uma vasilha, junte 2 gemas coadas, 75 gramas de açúcar, 20 gramas de maizena e um pouquinho do leite fervido temperado com a baunilha. Bata com um fouet até espumar um pouco. Volte a mistura das gemas para a panela, acenda o fogo, chama média e siga mexendo com o fouet até engrossar. Desligue o fogo e junte uma colher rasa de sobremesa de manteiga. Misture até derreter a manteiga e reserve com filme plástico de PVC por cima do creme, para não formar uma nata espessa. Reserve.

Para caramelizar as maçãs, leve para uma frigideira três maçãs descascadas e cortadas em fatias não muito finas, envolvidas em suco de limão. Antes, derreta na frigideira, uma colher de manteiga, um fio de azeite, uma colher de açúcar (não muito cheia) para cada maçã, um pouco de canela, um pequeno cálice de cognac e siga até as maçãs ficarem macias. Desligue o fogo, rale um pouco de noz-moscada e misture. Reserve.

Retire a massa da geladeira, polvilhe farinha em um pedaço de papel manteiga, de tamanho maior em relação ao tamanho da forma (24 com de diâmetro). Abra a massa com um rolo, em formato redondo, um pouco maior que a forma. Transfira a massa, com o papel manteiga para a forma e mantenha as bordas para fora.

Ajeite o creme de confeiteiro na massa (antes bata bem com o fouet), depois arrume as maçãs por cima do creme, e traga as bordas para dentro da galette, observe a foto abaixo. Arrume bem a galette, cuidando das bordas. Pulverize açúcar granulado nas bordas e leve para assar a 200º, em forno pré-aquecido até dourar a massa.

Depois de assada, espere esfriar um pouco, até ficar mais firme. Com a ajuda do papel manteiga, retire a galette da forma e deixe esfriar totalmente, por cima de uma grade, mas com o papel manteiga. Dessa maneira, a base da galette vai respirar e ficar crocante. 





E aqui deixo os meus beijinhos, mas antes, um licor! Sambuca, para um gran finale, com sabor e aroma de anis. Também um 'espresso'.

E este foi o almoço de um domingo frio e chuvoso. 







domingo, 28 de maio de 2017

Flamenco del Mundo - Salada de Brócolis, Batata e Ovos Cozidos - Galeto à moda Mediterrânea - Nhoques com Creme de Aspargos




Creio que todas as mulheres já foram atacadas por surtos divinamente femininos. Não falo aqui de feminismo e sim, sobre ser feminina. E os ataques a que me refiro, são os momentos em que somos tomadas pelo feminino que habita a nossa alma. 

Nestes instantes, não temos o leme nas mãos, as mais belas flores e aromas, arquivados em nossas raízes mais femininas, desabrocham e assim, não podemos prever o que somos capazes de fazer. Apenas somos!

Por exemplo; sentimo-nos inspiradas em último grau! Cantamos, criamos, parimos, amamos, fazemos acontecer o que o mundo atestou que era impossível, movemos montanhas... então, veja lá o que já te aconteceu pelas quatro estações da vida... inspire e pense... expire, vai lembrar das tuas ocorrências mais sagradas.

Neste vídeo, uma mulher madura, que mostra tanta força e coragem em seus passos, tão feminina com os movimentos de suas mãos e saia, percebe um músico e cantor de rua e larga a sua bolsa (assim eu entendi), mas com um leque na mão, já estava tomada pelo feminino que habita a sua alma e dança como nunca eu vi alguém dançar... olhem, não estou me referindo a coreografia, mas sim, a algo mais profundo, algo mágico! Não é algo para ser dito em palavras, mas é para ser sentido. Vejam o vídeo!

Ahhh me esqueci de dizer, ela ainda canta! Sabem aquelas velhas mulheres jovens? Todas nós somos assim, mas por vezes, não permitimos o fluir desta energia. O corpo dela inteiro conversou comigo.






Hoje vou deixar uma comidinha tão gostosa, leve e amorosa, que adoro tanto, tanto, tanto! E é fácil de fazer.

Falo de uma salada que aprendi com minha mãe, com floretes de brócolis cozidos no vapor, cuidando para que fiquem al dente, batatas cozidas e ovos cozidos. Enquanto eu cozinho os floretes no vapor, na panela inferior, na água, já estão os ovos. Os floretes ficam prontos antes, então, eu retiro o cesto, tampo a panela e o cozimento dos ovos continua até ficarem firmes. As batatas, estão cozinhando no microondas. 

Corte as batatas em fatias grossas, igualmente os ovos. Arrume tudo em uma prato de servir, como for do seu gosto. 

Corte fatias finas de cebola, em meia lua. Se tiver em casa a cebola roxa, é perfeita, pois ela é mais doce. Lave em água abundante usando uma peneira, para que permaneça um sabor mais delicado e deixe escorrer a água. Depois arrume as fatias de cebola por cima dos floretes de brócolis. A quantidade de cebola, fica a seu gosto. 

Agora, finalize temperando com uma quantidade generosa de azeite de oliva, pouco sal e pimenta preta ralada na hora, para perfumar. E se gosta, umas gotinhas de um bom vinagre de vinho branco nos floretes, ficam um luxo! Mas sem exagerar, pois o momento é de carinho e delicadeza, portanto, acidez na medida certa. 


Um mimo, não? Merecemos todo o carinho deste universo e dos outros, claro! 

Servida em meia porção, já foi o prato único em muitos dos meus jantares. 


Esta salada amorosa, costuma acompanhar um galeto (frango de leite - ave de 2 a 3 meses, com aproximadamente 800g, sabor muito suave), temperado a moda mediterrânea e de véspera, depois é assado.


Corto ao meio o galeto, tiro peles excedentes e depois lavo bem. Deixo escorrer um pouco e tempero com uma marinada, que faço separadamente em uma tigela, juntando - quantidades sem medida, vai no olhômetro: vinho branco seco, raspas de meio limão siciliano, folhas frescas de alecrim e tomilho, 1 dente de alho pequeno amassado (se exagerar no alho, perde a graça, use bem pouco), sal e pimenta preta ralada no momento. 

Misture tudo, arrume as metades do galeto em uma vasilha e massageie com a marinada. Deixe na geladeira, tampado, por uma noite. Não deixe mais que uma noite, pois os sabores ficarão fortes, uma tristeza. 

No dia seguinte, unte uma forma de ir ao forno com azeite, acomode as metades do galeto, regue com azeite de oliva e leve ao forno, até assar. Eu não uso a marinada para assar o galeto. 




E se for uma refeição especial? Talvez um elegante prato principal, para ser desfrutado antes da salada e do galeto, com sabores ainda mais delicados? O que acham de nhoques com creme de aspargos? Gnocchi alla crema di asparagi. Um carinho para as raízes da sua alma! 

Apenas exclua as batatas da salada, pois os nhoques já são de batata. 


Bem, este já não é um prato tão rápido. Não é difícil, mas merece um momento especial, pois tudo é feito em casa, inclusive os nhoques. Claro, com uma bela batata, própria para este fim, no caso eu usei a asterix. Porém, você pode usar um nhoque comprado na rotisseria (casa especializada em massas frescas, secas, molhos, assados, queijos, antepastos, sobremesa, pães, etc)) de sua confiança.


Despreze (eu congelo e uso para fazer caldos) a parte dura de 250 gramas de aspargos, separe os flores. A parte do meio, depois de levemente descascada, corte em rodelas finas e refogue na manteiga com meia cebola picada. Quando estiver bem cozida, é só mixar com creme de leite, eu usei aproximadamente 150 ml. O ponto é um creme. Volte para a penela, agregue tudo, salgue a rale pimenta preta na hora. Reserve, tampado.

Em uma pequena frigideira, salteie as flores na manteiga, salgue e junte um pouquinho de água. Tampe a panela, cuidando para que fiquem al dente. Reserve, tampado. 

Faça os nhoques com 450 gramas de batatas cozidas e espremidas, 2 colheres de queijo parmesão ralado, noz-moscada ralada no momento, 2 gemas e sal (pouco pois o queijo parmesão é salgado). Acerte o ponto para enrolar, usando farinha de trigo, pouca quantidade. Para este molho cremoso, costumo fazer os nhoque menores, por ser um prato delicado. 

Conforme for cozinhando os nhoques, em etapas, junte-os na panela com o creme de aspargos, misturando delicadamente. Terminado o cozimento dos nhoques, acenda o fogo em chama média, e agregue tudo rapidamente, para não secar/engrossar muito o molho. 

Siva imediatamente e no prato, decore com as flores de aspargos e rale pimenta preta na hora. 


Assopro muitos beijinhos, desejando dias felizes!